isso vai ser bem narcisista e esnobe, mas é algo que eu tenho que reconhecer sobre mim mesma. esteja avisado.
eu nunca fui popular. nunca tive muitos amigos. o fato de eu ser muito diferente de todo mundo sempre me deixou pra escanteio qdo eu estava na escola. eu me interessava por coisas que ninguém mais gostava e achava que passar a tarde empoeirando os dedos no sebão do centro atrás de hqs dos x-men era uma das coisas mais legais, assim como descobrir jogos de mega drive que eu não tinha jogado através do emulador, ou destruir a cidade toda com um tanque de guerra no gta 2. nem os meninos faziam isso. eu nao acho que sofria bullying, mas eu era judiada, tinha uma infinidade de apelidos, a maioria das pessoas me olhava torto e tal.
not that i care. já disse aqui: eu não me importava, só queria fazer as coisas que me fizessem feliz e tentar agradar um bando de filhinho de papai idiota só pra sair em fotos fazendo hang loose com eles na balada não fazia parte das minhas prioridades. não faz até hoje.
acho que a pior parte era que rolava uma invejinha. eu era boa aluna, tirava boas notas, mas eu era esforçada. estudava pra cacete, prestava atenção nas aulas (nas específicas, pelo menos), tirava dúvidas. enquanto isso, o pessoal colocava vodka em garrafinha de água e passava mal depois HAHAHAHA gente, isso aconteceu uma vez com um cara da minha sala, nem lembro quem foi, mas tem como ser mais babaca?
enfim, daí ninguém gostava de mim porque eu era meio nerdona e desencanada da vida social do colegial.
passei direto no vestibular pra uma faculdade pública, enquanto a maior parte avassaladora (me segurando pra não inserir um DIGDIN opa já foi) ficou no cursinho pelo menos um ano. um ano os que passarem em faculdades privadas. tem gente que ficou mais tempo tentando entrar numa pública. eu me formando e ainda tem gente no cursinho - i’m not even joking.
na faculdade, eu conquistei muita coisa. aprendi muito, fui atrás do que eu queria e tal.
uma das coisas que eu quis foi entrar pro garotas geeks. estou lá desde o começo, levei todas as broncas, segurei as pontas qdo pude, batalhei, briguei, e ri muito, muito mais do que tá aqui. e fiz minhas melhores amigas lá, conheci mta gente por causa dele. um puta orgulho mesmo.
como resultado dessa coisa meio vaidosa de “só faço o que eu quero”, em três anos eu consegui um emprego em são paulo que exigia uma experiência que eu, nem formada ainda, já tinha. logo apareceu outra oportunidade (essa cidade é incrível) e acabei largando, mas foi graças ao primeiro emprego que eu fui à minha 1a campus party e fui como palestrante, participar de um debate sobre a mulher na internet, para falar sobre o garotas geeks. na mesa: julia petit, lola aronovich, nina lemos, fer pineda e a dani (blogueira fofa de 16 anos cheia de conteúdo), enfim, gente grande, e eu lá no meio.
massa. demais. foda.
uma hora, enquanto tentava esconder meu nervosismo, olhei em volta e reparei no peso daquilo. cara, eu não sou nem formada em nada e palestrei na campus party. na CAMPUS FUCKING PARTY. tipo o maior evento de tecnologia DO MUNDO. na MAIOR EDIÇÃO EVER. por causa de um blog que eu comecei com meninas que nem eram minhas amigas, do qual eu não esperava nada. e só fiz parte dele porque, lá nos meus 15 anos, passava tardes empoeirando os dedos no sebão do centro atrás de hqs dos x-men, descobrindo jogos de mega drive que eu não tinha jogado através do emulador, destruindo a cidade toda com um tanque de guerra no gta 2, entre muitas outras coisas que eu fiz depois disso e que me rendia zuadas na rep de que eu era nerd demais (e eu nem sou tão nerd, come on).
sabe aquela giovana de 16 anos? mais vontade do que nunca de dar um abraço nela e agradecer por ter me tornado a pessoa que eu sou hoje.
I’M FUCKING RISING, BITCHES.

(vou montar uma palestra sobre bullying e ficar rica, preciso aproveitar a onda.)
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